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sábado, 22 de julho de 2017

OSTRA FELIZ NÃO FAZ PÉROLA...

O local mais seguro para um navio é o porto onde ele está fundeado. Mas não é para portos que se constroem navios.
O lugar mais seguro para um automóvel é a garagem, onde ele fica guardado. Porém, não é para as garagens que se fabricam carros.
O melhor lugar para um bebê que se gera ou para uma criança que nasce é o ventre da mãe ou os braços do pai. Entretanto, não é para ficar vitalícia e umbilicalmente no ventre da mãe nem permanentemente debaixo das vistas do pai que se geram filhos.
Apesar de ali estarem seguros, não é para portos, mas sim para os mares, que navios são construídos. É para a probabilidade da tempestade, é para a possibilidade da bonança, é para a certeza da viagem que navios são feitos e são lançados à água e singram mares já ou nunca dantes navegados.
Navios são feitos porque os mares, e não os portos, existem.
Também é para roer distâncias, encurtar tempos, transportar pessoas e coisas em velocidade, mas sobretudo com segurança, que se fazem carros. Eles são para as ruas e estradas, pois das vielas e becos cuidam nossos pés.
É porque (ainda) existem espaços para trafegar, e não garagens para guardar, que se industrializam carros.
É para a vida, para o mundo, para a certeza das buscas e incerteza do encontro, que se geram filhos. Sobre eles, pais, no máximo, têm autoridade, não propriedade.
É urgente e preciso organizar as pessoas para que elas organizem, para melhor, nossa cidade, estado, o país, o mundo. Abrir não o leque que espalhe um arzinho de conforto, mas um fole, que resfolegue, que crie, espalhe e trabalhe também o desconforto, donde poderão sobrevir respostas e realidades.
O desconforto, o incômodo podem ser criativos e deles pode sair muita coisa boa.
É do desconforto, da irritação da ostra que nasce a preciosidade da pérola. (Grãos de areia e pequenos seres invasores chegam ao interior da ostra, que se irrita com isso e, para se proteger do "ataque", produz uma substância calcária -- o nácar -- que vai cobrindo o corpo agressor em camadas. Três anos depois, a pérola está formada.)
Não é um elogio às dificuldades nem à infelicidade. Nada disso. Mas, se ocorrer, quando ocorrer, faça da situação difícil algo bom. E aprenda com a Mãe natureza:
Ostra feliz não produz pérolas.

EDMILSON SANCHES
edmilsonsanches@uol.com.br
www.edmilsonsanches.com

sexta-feira, 14 de julho de 2017

COLUNA DO LEITOR - NÃO HÁ CADEIA SUFICIENTE PARA LULA

Texto sugerido pelo leitor Antonio Alves dos Santos
Por Prof. Dr. Perci Coelho de Sousa - UNB.

Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.
Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.
Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.
Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.
Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.
Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.
O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)
Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

SÉRGIO MORO: VÍTIMA DO SEU PRÓPRIO NARCISISMO

Por Chico Almeida Xavier

A condenação do presidente Lula pelo inoxidável juiz sérgio moro (com minúsculas mesmo), foi um balde de água fria na elite reacionária corrupta que comanda esse país, bem como no seu exército de marionetes adestradas que ensaiam bordões e repetem mantras como se fossem seus.

Foram mais de 3 anos de operação Lava-jato com uma verdadeira caçada ao presidente Lula. Toda a sua vida e de sua família foi devassada violentamente. O moro junto com sua milícia formada pela Polícia Federal e seus procuradores que, pela primeira vez na história se uniram em torno de um objetivo, gastou tempo, muito dinheiro, muitas horas de exposição na mídia, muitas manchetes sensacionalistas, muitos grampos ilegais e imorais e gerou grande expectativa para os vampiros.

Após a conclusão do processo o sérgio moro ficou desesperado. Várias devassas, várias delações forçadas, várias prisões com tortura psicológica e nenhuma prova concreta contra o Lula. O procurador federal do PowerPoint, o “irmão” Deltan Dallagnol em busca desesperada pela fama e pelos holofotes criou uma nova jurisprudência: “não temos provas, mas temos convicção", o que deixou o ministério público em situação de escárnio.

Seus chefes, capitaneados pela Rede Globo, Aécio Neves e companhia, esperavam uma prisão espetacular com uma condenação de pelo menos 70 anos em regime fechado, e estão dispostos a cobrar a fatura do moro. Mesmo sem nenhuma prova concreta (e quem fala isso são os especialistas jurídicos), o moro se valeu em delações e leniências sem provas de condenados desesperados. O único que disse que tinha provas, o Hilberto Mascarenhas (chefe do setor de propinas da Odebrecht) disse que jogou o computador no mar de Miami (alguém é tão idiota o bastante para acreditar nesse conto da carochinha?).

O moro ficou em situação complicadíssima diante da enroscada que se meteu. Inocentar o presidente Lula, dizer que não há provas suficientes para uma condenação depois de todo o circo armado e de toda a expectativa dos seus chefes, seria sua sentença de “morte”, seu linchamento. Então, ele arrumou essa gambiarra que tirou o seu da reta: condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão, mas não mandou prendê-lo.

O juiz moro amarelou, acovardou, apequenou-se diante do cenário político que se desenhou. Ele apenas jogou o abacaxi para o Tribunal Federal da 4ª Região e lavou as mãos como Pilatos. E só para lembrar, esse Tribunal já anulou quase todas as sentenças do juiz moro por irregularidades e abusos. Portanto, o moro tem a certeza que essa sentença será anulada por não encontrar nem uma base legal, mas ficará bem com seus chefes. Dirá: “fiz minha parte heroicamente, mas os juízes superiores anularam meu trabalho". Quem sabe, depois disso, consiga se eleger a algum cargo político no Paraná?


Pobre menino moro! Foi comido pela própria vaidade e será devorado por quem o protegeu e usou-o. Pobres fantoches que tiveram suas expectativas frustradas. Os pobres até já tinham comprado a sidra para comemorar.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A BOA VONTADE QUE FALTA NO BRASIL HOJE


Por Leonardo Boff, no site Carta Maior:

Na sociedade brasileira atual grassa uma onda de ódio, raiva e dilaceração que raramente tivemos em nossa história. Chegamos a um ponto em que a má vontade generalizada impede qualquer convergência em função de uma saída da avassaladora crise que afeta toda a sociedade.

Immanuel Kant (1724-1804), o mais rigoroso pensador da ética no Ocidente moderno, fez uma afirmação de grandes consequências, em sua Fundamentação para uma metafísica dos costumes(1785): "Não é possível se pensar algo que, em qualquer lugar no mundo e mesmo fora dele, possa ser tido irrestritamente como bom senão a boa vontade (der gute Wille)". Kant reconhece que qualquer projeto ético possui defeitos. Entretanto, todos os projetos possuem algo comum que é sem defeito: a boa vontade. Traduzindo seu difícil linguajar: a boa vontade é o único bem que é somente bom e ao qual não cabe nenhuma restrição. A boa vontade ou é só boa ou não é boa vontade.

Há aqui uma verdade com graves consequências: se a boa vontade não for a atitude prévia a tudo que pensarmos e fizermos, será impossível criar-se uma base comum que a todos envolva. Se malicio tudo, se tudo coloco sob suspeita e se não confio mais em ninguém, então, será impossível construir algo que congregue a todos. Dito positivamente: só contando com a boa vontade de todos posso construir algo bom para todos. Em momento de crise como o nosso, é a boa vontade o fator principal de união de todos para uma resposta viável que supere a crise.

Estas reflexões valem tanto para o mundo globalizado quanto para o Brasil atual. Se não houver boa vontade da grande maioria da humanidade, não vamos encontrar uma saída para a desesperadora crise social que dilacera as sociedades periféricas, nem uma solução para o alarme ecológico que põe em risco o sistema-Terra. Somente na COP 21 de Paris em dezembro de 2015 se chegou a um consenso mínimo no sentido de conter o aquecimento global. Ainda assim as decisões não eram vinculantes. Dependiam da boa vontade dos governos, o que não ocorreu, por exemplo, com o parlamento norte-americano que somente apoiou algumas medidas do Presidente Obama.

No Brasil, se não contarmos com a boa vontade da classe política, em grande parte corrompida e corruptora, nem com a boa vontade dos órgãos jurídicos e policiais jamais superaremos a corrupção que se encontra na estrutura mesma de nossa fraca democracia. Se essa boa vontade não estiver também nos movimentos sociais e na grande maioria dos cidadãos que com razão resistem às mudanças anti-populares, não haverá nada, nem governo, nem alguma liderança carismática, que seja capaz de apontar para alternativas esperançadoras.

A boa vontade é a última tábua de salvação que nos resta. A situação mundial é uma calamidade. Vivemos em permanente estado de guerra civil mundial. Não há ninguém, nem as duas Santidades, o Papa Francisco e o Dalai Lama, nem as elites intelectuais mundiais, nem a tecno-ciência que forneçam uma chave de encaminhamento global. Abstraindo os esotéricos que esperam soluções extra-terrestres, na verdade, dependemos unicamente da boa vontade de nós mesmos.

O Brasil reproduz, em miniatura, a dramaticidade mundial. A chaga social produzida em quinhentos anos de descaso com a coisa do povo significa uma sangria desatada. Nossas elites nunca pensaram uma solução para o Brasil como um todo mas somente para si. Estão mais empenhadas em defender seus privilégios que garantir direitos para todos. Está aqui a razão do golpe parlamentar que foi sustentado pelas elites opulentas que querem continuar com seu nível absurdo de acumulação, especialmente, o sistema financeiro e os bancos cujos lucros são inacreditáveis.

Por isso, os que tiraram a Presidenta Dilma do poder por tramoias político-jurídicas, ousaram modificar a constituição em questões fundamentais para a grande maioria do povo, como a legislação trabalhista e a previdência social, que visam, em último termo, desmontar os benefícios socias de milhões, integrados na sociedade pelos dois governos anteriores e permitir um repasse fabuloso de riqueza às oligarquias endinheiradas, absolutamente descoladas do sofrimento do povo e com seu egoísmo pecaminoso.

Contrariamente ao povo brasileiro que historicamente mostrou imensa boa vontade, estas oligarquias se negam saldar a hipoteca de boa vontade que devem ao país.

Se a boa vontade é assim tão decisiva, então urge suscitá-la em todos. Em momento de risco, no caso do barco-Brasil afundando, todos, até os corruptores se sentem obrigados a ajudar com o que lhes resta de boa vontade. Já não contam as diferenças partidárias, mas o destino comum da nação que não pode cair na categoria de um país falido.

Em todos vigora um capital inestimável de boa vontade que pertence à nossa natureza de seres sociais. Se cada um, de fato, quisesse que o Brasil desse certo, com a boa vontade de todos, ele seguramente daria certo.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O PT DE PARAUAPEBAS EMPOSSOU SEU "NOVO" DIRETÓRIO

Aconteceu no último sábado (20) no plenarinho da Câmara a posse da "nova" direção municipal do Partido dos Trabalhadores (PT). Com o plenário lotado com filiados e lideranças regionais, os novos diretorianos empossados se comprometeram em reorganizar o partido e reconduzir para novos caminhos, tendo como prioridade a eleição de Lula em 2018 e a formação de novas lideranças em Parauapebas. "Nesse momento onde o PT sofre fortes ataques a nível nacional, é de suma importância que nos mantemos fortes e unidos para demonstrar a sociedade que a nossa luta é por um Brasil mais justo. Os últimos acontecimentos em Brasília derrubaram de vez a ideia que tentaram impor à sociedade de que somos os responsáveis pela crise. Ficou provado onde estão os verdadeiros bandidos e os motivos do golpe que deram na democracia quando derrubaram Dilma", destacou Luis Carlos Pies, ex-vice-prefeito de Marabá e liderança regional.

A executiva eleita ficou assim:


Presidente: Francisco Diniz (Chiquinho)
Vice-presidente: Edilson dos Santos Carneiro (Paraíba)
secretário de Organização: Francisco Teixeira dos Santos (Índio)
Secretário de Finanças: Raimundo Nonato B. Pereira (Neto)
Secretária de Comunicação: Rebeca Valquíria Albuquerque de Souza
Formação Política: Maria de Jesus Santos da Silva
Secretária de Movimentos Populares: Leane Gomes da Silva

Com a atual conjuntura política e pela divisão que houve no PT na última eleição municipal, o presidente Chiquinho vai precisar de muita sorte para conduzir esse partido na difícil missão de reunificação.

O que penso dessa situação?


Há uns dias, fui limpar a caixa de gordura de minha casa. Por distração, usei uma luva furada e quando percebi, já era tarde. Lavei as mãos com detergente, passei álcool, lavei com sabão de coco, sabonete líquido, e nada do cheiro de esgoto sair. Por mais que eu lavasse, aquele cheiro ficou impregnado em minhas mãos por uns três dias, e mesmo depois disso, sempre que aproximava a mão do nariz, tinha a sensação que o danado continuava ali, e ficou um tempão na minha lembrança.

É mais ou menos assim que está acontecendo com o PT de Parauapebas. Como se não bastasse os escândalos nacionais, aqui, nossas lideranças resolveram fazer a pior lambança de toda a nossa história. Imagine o PT se coligar com o PSDB? Pois foi o que aconteceu. O partido de prática radical e coerente contra a corrupção, decidiu se aliar às velhas raposas de práticas nada republicanas que sempre combateu. Com essa aliança, ajudou a eleger o Zacarias e o Pavão e sua bancada legislativa composta pelos vereadores Euzébio e Miquinha virou cinzas. E como ainda não bastasse, o PT flertou com Marcelo Catalão do DEM e foi parar nos braços do Valmir Mariano. É inacreditável, mais as lideranças do PT associaram a nossa estrela a esse grupo e tudo por uma vingança e alguns trocados. Agora, penso que vai levar alguns anos para sair esse "cheiro".

Depois dessa aliança desastrosa, o PT em Parauapebas ficou dividido, pois a militância não aceitou essa decisão espúria e decidiu apoiar o Darci. E as lideranças que não se sucumbiram a tática de Judas, cometeram mais um erro: no processo eleitoral, ao invés de lançar uma chapa pura e disputar as eleições, optaram pelo PACTO DA MEDIOCRIDADE. Resolveram unificar com os que venderam o partido. Por isso, acho que o Chiquinho (novo presidente) vai precisar muito mais do que sorte para tirar o partido desse atoleiro. E diga-se de passagem, os vendilhões continuaram com toda força na composição do "novo" diretório.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

BARBÁRIE: 10 POSSEIROS ASSASSINADOS NO PARÁ

A ação de despejo foi feita por policiais do estado

publicado 24/05/2017
MST.jpg
Vítimas de mais um caso de violência no campo
Segundo informações preliminares, na manhã desta quarta-feira, 24, pelo menos 9 posseiros homens e uma mulher foram mortos durante ação de despejo realizada por policiais do estado do Pará.
A chacina ocorreu no interior da fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, na região de Redenção, Sudeste do Pará, a 860 quilômetros da capital Belém.
Os corpos, conforme apurações iniciais, foram levados para o necrotério do Hospital Municipal de Redenção.
De acordo com veículos de comunicação da região, a operação policial foi liderada pela Delegacia de Conflitos Agrários em Redenção (DECA), com apoio de policiais de Redenção, Conceição do Araguaia e Xinguara.

# OCUPA BRASÍLIA ACELERA O ENTERRO DE TEMER

Por Altamiro Borges

As cenas da barbárie policial em Brasília na tarde desta quarta-feira (24) – com helicópteros, bombas de gás, balas de borracha, muito cassetete e vários feridos – não são sinais de força do Judas Michel Temer. Pelo contrário. Elas confirmam a sua fragilidade. Indicam que o protesto unitário, organizado pelas nove centrais sindicais e a maioria dos movimentos socais brasileiros – reunidos nas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo – podem acelerar o fim do covil golpista. A quadrilha que assaltou o Palácio do Planalto com o impeachment de Dilma pode até acionar as Forças Especiais e as tropas do Exército, mas seu fim está próximo. Se insistir em desafiar a sociedade – "se quiserem, me derrubem" –, Michel Temer poderá ser não apenas defecado do poder como será preso ou terá que deixar o país!

A mobilização desta quarta-feira – que reuniu mais de 200 mil pessoas, segundo os organizadores – evidencia que o covil golpista perdeu qualquer capacidade de governar o país. A tendência é de que a debandada dos partidos governista aumente nos próximos dias – três legendas já anunciaram a saída da base de apoio –, o que inviabilizaria a aprovação das contrarreformas trabalhista e previdenciária. No Congresso Nacional, os partidos oposicionistas e até rebeldes do PMDB prometem trancar a pauta de votação. Rodrigo Maia, o capacho dos patrões e o porta-voz do Judas na Câmara Federal, pode até chorar e fazer biquinho. Mas o "Botafogo" – da lista de propinas da Odebrecht – não terá vida fácil.

Com o prolongamento da crise política, o próprio "deus-mercado" já dá sinais de que teme o pior, com a deterioração acelerada da economia e a derrota das suas contrarreformas ultraliberais. Daí o esforço de alguns setores da cloaca empresarial – tendo à frente a ardilosa Rede Globo - para descartar logo o "bagaço" Michel Temer e para encontrar uma solução negociada – um golpe dentro do golpe – que viabilize um "novo presidente" através das eleições indiretas. A "ocupação de Brasília" deve reforçar estas e outras contradições no bloco golpista, o que será mortal para o Judas Michel Temer. A entrada em cena dos trabalhadores – como já havia ocorrido na histórica greve geral de 28 de abril – cria a real possibilidade de derrubar o usurpador, como de derrotar as contrarreformas da quadrilha e de garantir a convocação das eleições diretas. O jogo está sendo jogado! 

Em tempo: Reproduzo abaixo a nota divulgada no final desta quarta-feira pela Frente Brasil Popular:


*****

A Frente Brasil Popular repudia veementemente o uso de repressão policial e das Forças Armadas que agrediu milhares de brasileiros e brasileiras dentre os 200 mil que participaram da Marcha da classe Trabalhadora, organizada com unidade de todas as centrais sindicais e com a participação das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

O uso das Forças Armadas, de bombas de gás lacrimogêneo e bala de borracha demonstra a atual fraqueza do governo de Michel Temer e seus aliados, ainda mais instável após as inúmeras denúncias de corrupção que envolvem o próprio presidente.

As Forças Armadas rebaixaram o seu papel ao servir de instrumento político de um governo moribundo. Atacou indiscriminadamente dezenas de milhares de brasileiros/as, quando alguns poucos se infiltram em nosso movimento pacífico para promover o enfrentamento.

Sem forças, sem apoio popular e vendo sua base golpista pular do barco, Temer criminaliza e persegue os movimentos sociais. 

Fomos às ruas hoje para exigir a saída do presidente, eleições diretas e a retirada das reformas da previdência e trabalhista e serão as ruas os nossos espaços sociais de luta até a derrubada de Temer e sua pauta de retirada de direitos.

#DiretasJá #ForaTemer 
#ContraAsReformas

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A MALDIÇÃO DE DILMA E O GOLPE QUE CUSTOU A RUÍNA DA REPÚBLICA

Outubro de 2014 - Dilma vence a eleição mais disputada e polarizada da história do Brasil. Mas antes disso, um misterioso acidente de avião no dia 13 de agosto de 2014 tira do páreo o Eduardo Campos, que vinha crescendo nas pesquisas e era a principal ameaça eleitoral para os planos de Aécio polarizar com Dilma. O oponente, senador Aécio Neves (PSDB) que dava a vitória como certa, não se conformou e montou, junto com seus aliados um esquema para derrubar a presidente eleita. Seus adeptos, também inconformados, entraram na sua pilha e iniciaram um movimento radical que dividiu o povo brasileiro. O primeiro ato de Aécio pós eleição foi pedir auditoria nas urnas e nenhuma irregularidade foi encontrada.

1º de fevereiro de 2015 - Michel Temer (PMDB), vice-presidente eleito na chapa de Dilma para o segundo mandato, prepara secretamente um plano para derrubar o governo. Secretamente, incentiva sua base a articular a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara. Mesmo o PT indicando o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para o cargo, houve a primeira traição do principal partido aliado do governo. No dia primeiro de fevereiro, o Cunha surpreende o governo e consegue se eleger no primeiro turno. Uma luz vermelha se acende na base petista que sente o golpe da traição.

Pauta bomba - Como parte de uma grande estratégia do PMDB aliado com o DEM e PSDB, o Eduardo Cunha impõe no congresso uma pauta bomba com o claro objetivo de desgastar a presidente Dilma e engessar o governo. Mas o que é pauta bomba? São medidas e projetos de leis aprovados no congresso, mesmo com a consciência dos deputados e senadores de que eram impraticáveis. Exemplo: aumento para os funcionários federais muito acima do que o orçamento poderia suportar, aumento exorbitante para o judiciário, entre outras medidas. Sem ter como praticar, caberia à Dilma vetar tais projetos, causando revolta e ódio na sociedade. Enquanto isso, o Michel Temer dava piti na mídia para encontrar um motivo para o rompimento.

02 de dezembro de 2015 - O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha anuncia que aceitou o pedido de impeachment contra a presidente Dilma, apresentado em setembro do mesmo ano por Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo. A principal alegação era de que a presidente Dilma teria praticado as chamadas "pedaladas fiscais", uma prática muito comum em todos os governos e que nunca foi questionada. É importante ressaltar que durante todo o processo, nenhum ato de corrupção foi encontrado contra a Dilma.

17 de abril de 2016 - O plenário da Câmara decide pela abertura do inquérito. Numa sessão histórica e bizarra no plenário da Câmara, 367 deputados votaram a favor do processo. Deputados envolvidos em corrupção votaram repetindo o bordão: "pela minha sogra, pelo meu marido, pelo meu cachorro, pela minha tia... eu voto sim senhor presidente!".

11 de maio de 2016 - Aprovado na Câmara, o processo foi enviado ao Senado que também decide pela abertura do inquérito. Foram 55 votos a favor e 22 contra. Nessa etapa, a presidente é afastada até o final do inquérito e assume interinamente o vice Michel Temer.

31 de agosto de 2016 - Presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, 61 senadores votaram a favor da perda definitiva do mandato da presidente Dilma. O mais intrigante é que mesmo sendo cassada, não perdeu seus direitos políticos. Numa espécie de alívio da consciência, apenas 42 senadores votaram pela sua inabilitação. Seriam necessários 54 votos para que Dilma ficasse inelegível por oito anos. 

Temer toma posse imediatamente como presidente definitivo para o mandato que iria até dezembro de 2018. Seu governo foi marcado por escândalos e denúncias de corrupção. Nos primeiros seis meses de governo, seis ministros caíram.

19 de janeiro de 2017 - mais um acidente aéreo misterioso em Paraty, tira a vida do relator da Lava-jato no STF, ministro Teori Zavascki. Teori estava concluindo o relatório que prometia balançar o cenário político do Brasil com envolvimento de figuras graúdas da república.

O ministro Edson Facchini assume a relatoria e promete dar continuidade a linha de investigação do colega morto. 

O início do fim


Eduardo Cunha acusado de corrupção e de manter contas secretas no exterior, foi denunciado, investigado e processado graças à intervenção do ministério público da Suíça. As denúncias foram tão graves que não restou à justiça brasileira outra alternativa senão condenar a 15 anos de prisão em apenas um dos processos que responde. Cunha está preso em Curitiba desde o dia 19 de outubro de 2016.

Sérgio Moro protege Temer


Cunha preso e abandonado pela sua base, ameaça contar tudo o que sabe. Agora, o "malvado favorito" usado para arquitetar e executar o golpe contra Dilma é uma testemunha inconveniente. Várias denúncias dão conta de que mesmo preso, ele continua dando as cartas no governo Temer. Sua defesa arrola o presidente Temer como testemunha, mas o juiz Sérgio Moro veta 21 perguntas de Cunha a ele, alegando que o preso queria constranger o presidente. 

Na operação Lava-jato, além de Temer, o senador Aécio Neves também é protegido. O ex-presidente da Odebrecht  Benedicto Junior cita em delação o senador Aécio Neves que teria recebido doação de $ 9 milhões para campanha em 2014 oriundo do caixa dois. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin determinou que sejam colocadas tarjas nas citações que envolvem o nome de Aécio.

17 de janeiro de 2017 - a casa caiu


Veio a tona o maior esquema de corrupção da república através da divulgação das conversas gravadas com autorização do ministro Facchini - relator da Lava-jato. O presidente da Friboi, Joeslei Batista, preso na Operação Lava-jato, em acordo de delação premiada, gravou conversa com o presidente Temer e com o senador Aécio Neves. Na conversa com Temer, ficou provado que o presidente autorizou o pagamento de uma mesada de 500 mil reais por mês em troca do silêncio de Cunha na prisão. E esse esquema acontecia dentro da carceragem de Curitiba, na cara de Sérgio Moro.

No grampo com o senador Aécio Neves, o mesmo foi flagrado pedindo $2 milhões para Joeslei Batista para pagar despesas de sua defesa na Lava-jato.

Tem que ser um que a gente mata


Na conversa grampeada, o senador Aécio Neves ao ser perguntado quem seria o responsável para receber o dinheiro da propina, responde de forma fria: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação". Essa frase fez acender a luz vermelha e trazer de volta a teoria da conspiração sobre a queda dos aviões que mataram Eduardo Campos (candidato a presidente em 2014) e o ministro Teori Zavascki (relator da lava-jato no STF).

Moro terá muito o que explicar


Essa delação e o grampo do Joeslei da Friboi colocam em cheque o caráter e a seriedade do juiz Moro. Ao autorizar o grampo, ao filmar entrega de malas de dinheiro, o ministro Facchini quebrou o esquema da Lava-jato com seus procuradores amadores e nada imparciais. Gente que era protegida, foi exposta de forma inquestionável. Facchini, ao contrário do Dallagnol - o procurador de Curitiba que apresentou um PowerPoint amador contra o Lula e disse que não tinha provas mas tinha convicção - investigou como deve ser feito: usou gravadores profissionais, mandou a polícia federal acompanhar a movimentação e filmar entrega de dinheiro, chipou mochilas usadas na entrega, controlou o numero de série das notas e rastreou até chegar na conta do parceiro do Aécio - senador Perrela (PSDB - aquele do helicóptero com 500 kg de coca, lembra?

Quem sabe se o juiz Moro deixasse de atuar como um garoto propaganda vaidoso premiado pela Globo, e passasse a atuar com o mesmo profissionalismo do Facchini, reunindo provas concretas, ele não descobriria onde está a fortuna do Lula? Aí ele seria preso fácil, fácil. 

Mas por enquanto, o Moro terá que explicar o por que não permitiu que o Cunha fizesse as perguntas ao presidente Temer (arrolado no processo como testemunha), e como ele conseguia articular de dentro da cadeia em Curitiba a quadrilha e movimentar uma fortuna em propina.





quarta-feira, 17 de maio de 2017

TEMER DEVE CAIR E AÉCIO TEM QUE SER PRESO

Por Renato Rovai, em seu blog:

O governo Temer acabou, mas mais do que isso, Aécio tem que sair do Senado algemado. Há provas contundentes de corrupção denunciadas pelo donos da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, realizadas nesta quarta-feira, 17, diretamente ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Os empresários disseram ter gravações de Michel Temer dando aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e deputado cassado, hoje condenado e preso.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também foi gravado, pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro teria sido entregue a um primo do presidente do PSDB, em cena filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o dinheiro e descobriu que ele foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

Perrella é o dono do helicoca, o avião que tinha 500 e poucos quilos de cocaína e cujo inquérito não foi para frente.

Segundo reportagem do Globo, “os diálogos e as entregas de malas (ou mochilas) com dinheiro foram filmadas pela PF e as cédulas tinham seus números de série informados aos procuradores. Como se fosse pouco, as malas ou mochilas estavam com chips para que se pudesse rastrear o caminho dos reais. Nessas ações controladas foram distribuídos cerca de R$ 3 milhões em propinas carimbadas durante todo o mês de abril”.

Em duas oportunidades em março, Joesley conversou com o presidente e com o senador tucano levando um gravador escondido. A delação dos irmãos Joesley tem ainda um histórico de propinas pagas a políticos nos últimos dez anos.

É um escândalo sem precedentes na história do Brasil. Muita gente está presa por muito menos. Ou Aécio é levado para Curitiba ou haverá uma desmoralização total da justiça.

O fato de a Globo ter dado essa matéria significa que Temer já é passado. Cresce a tendência de a Globo ter assumido seu impeachment e de que Carmem Lúcia acabe assumindo o governo.

A Globo pode estar dando o golpe dentro do golpe, o que alguns já previam, como este blogueiro.

sábado, 13 de maio de 2017

MIL TONS - ARTE DE PRIMEIRA GRANDEZA EM PARAUAPEBAS

Vamos dar um rolezinho no shopping?


Hoje, (13) é dia de ir ao shopping. É isso mesmo! Mesmo se você é daqueles que não dá a mínima para arte, vai se surpreender com a beleza e a qualidade do trabalho do artista plástico Afonso Camargo. Filho de artistas - o pai pintor e a mãe artesã - a arte está na veia. Desde os 9 anos de idade Afonso começou dar suas primeiras pinceladas, e de lá pra cá não parou mais. Continuou aperfeiçoando e aprimorando sua arte, até chegar ao inacreditável. Podemos compará-lo com os monstros das telas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Pablo Picasso e Vicent van Gogh.

Afonso Camargo não é apenas um pintor de telas. Sua arte transcende a mistura de tintas e a composição de figuras. Vai além do comum, e podemos afirmar que expressa a vida com inspiração que vem da alma. E além das telas, seu espírito artístico ainda vagueia pelas paredes, pelos campos do design, pela arquitetura e pelo artesanato. Isso torna-o um artista completo e diferenciado.

É com muita honra e orgulho que convido a todos a prestigiarem esse artista nesse dia 13 de maio às 19 horas no Partage Shopping. Nos encontraremos lá.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ACADEMIA PARAUAPEBENSE DE LETRAS (APL) REALIZA SESSÃO PÚBLICA

Acontecerá hoje às 19h30 no auditório do IFPA (ao lado da portaria de Carajás) a primeira audiência pública de 2017 da Academia Parauapebense de Letras. Em homenagem ao aniversário de Parauapebas, a instituição incluiu em sua programação oficial uma palestra sobre a história de Parauapebas. Os palestrantes serão o professor e escritor Luiz Vieira e o médico e escritor Miguel Reis, imortais membros da Academia de Letras. Além das palestras, alguns pioneiros serão homenageados com o diploma de honra ao mérito pela contribuição na construção do município de Parauapebas. A diretoria da APL afirma que não haverá condições de homenagear todos os valorosos pioneiros. Assim, foram escolhidos seis (6) nomes que representam vários setores da sociedade, e dessa forma, todos os pioneiros serão indiretamente prestigiados.

O evento é aberto ao público e é uma oportunidade ímpar para que a sociedade conheça os escritores de Parauapebas e valorize a nossa cultura literária. Além das palestras e das homenagens, o participante poderá conversar com os imortais e conhecer essa importante iniciativa que engrandece a história do município. A Academia Parauapebense de Letras (APL) foi fundada em setembro de 2014 e vem desenvolvendo um trabalho de incentivo aos escritores e enriquecimento cultural, além de fortalecer a prática saudável e construtiva da leitura. Seus membros (chamados de imortais) se desdobram realizando palestras em escolas e outras instituições, sempre incentivando o público a adotar o hábito da leitura como forma de civilização e crescimento intelectual da sociedade.

Portanto, hoje, as 19h30 os imortais de Parauapebas esperam por você nesse surpreendente e importante evento. Você vai se surpreender!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A divina tragédia de Belchior

Procurado pela polícia e hospedado de favor na casa de fãs, o compositor de clássicos como “Divina comédia humana” protagoniza uma história de amor e decadência

Marcelo Bortoloti- ÉPOCA

Capítulo 1
“No trevo, a 100 por hora”

Edna Prometheu é o pseudônimo da produtora cultural Edna Assunção de Araújo, de 46 anos. Morena, de cabelos encaracolados e baixa estatura, não é uma mulher de beleza estonteante. Militante de organizações de extrema-esquerda, é definida por seus amigos como “idealista utópica”. No começo de 2005, ela estava em São Paulo, no ateliê do artista plástico cearense Aldemir Martins, já morto, quando entrou pela porta o músico Belchior. O cantor de “Paralelas” também pinta quadros e frequenta o ambiente artístico. Edna queria organizar uma exposição de Aldemir no Ceará. Belchior disse que tinha amigos por lá, poderia ajudar. Trocaram telefones.

Os dois acabaram organizando juntos a exposição em Fortaleza, naquele mesmo ano. Na volta, Edna ligou para um amigo e contou a novidade: “Estamos namorando”. A partir daí, a vida plácida de Belchior derrapou no trevo a 100 por hora, como diz a letra de “Paralelas”. Para ficar com Edna, ele abandonou a então mulher, Ângela, com quem estava casado havia 35 anos, mãe de dois dos quatro filhos que tem. Afastou-se dos amigos e foi gradativamente deixando de fazer shows, até sumir sem dar explicações, em 2009. “Essa figura nefasta está fazendo uma lavagem cerebral nele”, afirma Jackson Martins, ex-empresário de Belchior. “Depois dela, sua vida só andou para trás”, diz o artista plástico cearense Tota, amigo de Belchior.

A FELICIDADE É UMA ARMA QUENTE

O desaparecimento de Belchior, há cinco anos, surpreendeu a todos, família e amigos. Ninguém poderia esperar tal atitude. Ele deixou para trás a agenda de shows e todo o patrimônio, incluindo roupas, documentos, quadros, automóveis e apartamento. O sumiço transformou Belchior em figura cult. A pergunta “onde está Belchior?” ecoou na internet e teve até repercussão internacional. Surgiram blogs sobre o tema. Campanhas nas redes sociais pediram a volta do músico. E apareceram montagens cômicas – “memes” – em que Belchior aparece em locais inusitados como a ilha do seriado Lost. Suas músicas no YouTube, que antes tinham 5 mil acessos diários, hoje batem 500 mil.

O sucesso no mundo virtual não trouxe nenhum benefício para o Belchior de carne e osso. Aos 67 anos, ele vive escondido com Edna em Porto Alegre. Não pode sair em público, pois é procurado pela polícia. Pesam contra Belchior dois mandados de prisão pelo não pagamento de pensões alimentícias. Uma devida à ex-mulher Ângela, com quem tem dois filhos já maiores de idade, e outra à mãe de uma filha de 19 anos que teve fora do casamento. Além das pensões, Belchior abandonou todos os demais compromissos e é cobrado na Justiça em processos que correm à revelia. O ex-secretário particular de Belchior, Célio Silva, ganhou um processo trabalhista contra ele no valor de R$ 1 milhão. Não há mais como recorrer. As contas de Belchior estão bloqueadas, e os imóveis que tinha comprometidos. Sem dinheiro, ele já se abrigou numa instituição de caridade no Rio Grande do Sul e morou de favor na casa de fãs que nem conhecia.

O mais intrigante na espantosa história de Belchior é que ele aparentemente não agiu movido por depressão, dívidas ou golpe publicitário, como se pensou no princípio. A influência da mulher é apontada pela maioria dos amigos como o motivo do seu comportamento. Ainda assim, não há unanimidade. “Edna não conseguiria sozinha virar a cabeça de alguém inteligente como Belchior. São dois sonhadores, juntaram suas utopias. Deixaram de acreditar neste mundo materialista, objetivo e mesquinho e partiram para um caminho de desapego”, diz o artista plástico José Roberto Aguilar, de 72 anos, amigo do casal.

Belchior nasceu numa família simples no interior do Ceará. Foi o mais bem-sucedido entre 23 irmãos. Estudou medicina na capital. Abandonou o curso depois de quatro anos, para ingressar na carreira artística. Estourou nos festivais na década de 1970 e compôs músicas com letras poderosas, como “A palo seco”. Seus sucessos foram gravados por Elis Regina, Jair Rodrigues e Roberto Carlos. Belchior é um artista com vasta cultura, domina cinco idiomas, conhece filosofia e gosta de física quântica. Até os anos 2000, lançava em média um disco por ano. “Ele era uma máquina, chegava a fazer três shows por noite. Era uma pessoa completamente dedicada à carreira”, diz o parceiro e ex-sócio Jorge Mello.

Tudo isso ficou para trás. O sumiço de Belchior lembra o caso do escritor russo Liev Tolstói. Aos 82 anos, ele abandonou tudo para viver como camponês. Tolstói teve um fim trágico – morreu de pneumonia depois de viajar na terceira classe de um trem durante o inverno soviético. Belchior, quanto mais se afasta da vida em sociedade, mais se afunda em dificuldades mundanas.

Capítulo 2
“Onde nada é eterno”

Depois que conheceu Edna, Belchior percorreu uma trajetória descendente em que, aos poucos, se despojou de todos os bens e obrigações. No final de 2006, ainda com a carreira aquecida, pediu que o empresário Jackson Martins parasse de agendar novos shows. Pretendia passar um tempo se dedicando à pintura e à tradução do poema Divina comédia, de Dante Alighieri, para uma linguagem popular. No início do ano seguinte, deixou o apartamento em que vivia com Ângela, mas continuou morando em São Paulo com Edna, num flat alugado. Desde então, a família diz não ter mais notícias dele. Belchior não era um marido muito presente, ficava até dois meses sem aparecer em casa. Teve duas filhas fora do casamento. Uma delas com uma fã que morava em São Carlos, no interior de São Paulo, com quem saiu uma única vez. A outra era fruto de um caso com uma estudante de psicologia no Ceará. Belchior pagava pensão alimentícia para a primeira. A família da segunda menina, hoje com 16 anos, não o acionou na Justiça.

As complicações começaram a aparecer em 2008. Ângela cobrava na Justiça uma pensão mensal de R$ 7 mil. Belchior se recusou a pagar. Na época, deixou de pagar também a outra pensão. Seus amigos notaram uma diferença de comportamento. “Ele parecia estranho. Me ligou perguntando sobre amigos que não vemos há 30 anos, num tom de voz que não era o seu”, diz Jorge Mello. Em outubro daquele ano, abandonou um carro no estacionamento do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Belchior continuou em São Paulo até março de 2009, quando deixou o flat sem quitar os últimos meses de aluguel. Na garagem, ele largou um segundo carro, e em seu apartamento ficaram roupas, rascunhos de música, cartões de crédito e o passaporte. Belchior também abandonou tudo na casa alugada onde funcionava seu escritório: coleção de quadros, discos, documentos e o computador onde estava parte da tradução da Divina comédia, projeto que lhe consumira três anos. Seu secretário, Célio Silva, continuou abrindo o escritório, na esperança de que retornasse.

Belchior viajara com Edna para o Uruguai, onde descansava num vilarejo. Foi processado por Célio e por todos os credores que ficaram em São Paulo. Não se defendeu. Foi representado por defensores públicos até nos processos de pensão alimentícia. Como consequência, suas contas foram bloqueadas, e apareceram dois mandados de prisão contra ele, já que não pagar pensão é um crime passível de cadeia. “Como não tive contato com ele, a defesa ficou restrita a questões formais”, diz a defensora Claudia Tannuri, escolhida para defendê-lo no processo movido pela ex-mulher Ângela. Belchior nem sequer se importou com o destino de seus pertences. As roupas que estavam no flat foram doadas à caridade. A filha mais velha recolheu os documentos. Os carros foram levados para depósitos públicos. A dívida com os estacionamentos já ultrapassava seu valor. O proprietário do imóvel onde funcionava o escritório lacrou o lugar e recolheu os pertences. Seus quadros se perderam com a umidade.

Como na música “Divina comédia humana”, “em que nada é eterno”, Belchior e Edna perambularam durante todo esse período de hotel em hotel – várias vezes, sem pagar a conta. Amigos culpam Edna pela iniciativa. O primeiro hotel em que isso aconteceu foi o Gran Marquise, em Fortaleza. Os dois ficaram hospedados ali ainda em 2006. Saíram sem pagar dois meses de estadia, no valor de R$ 8 mil. Depois, repetiram a prática em pelo menos quatro locais. No Icaraí Praia Hotel, em Niterói, deixaram uma conta de R$ 4 mil. “Alguns funcionários tiveram de arcar com parte da dívida, já que permitiram que ele ficasse hospedado mais de uma semana sem pagar a conta”, diz o atual gerente, Germano Lopes. No Royal Jardins Boutique, em São Paulo, a conta pendurada foi de R$ 12 mil. “Eles deixaram um cheque caução, mas não tinha fundos”, diz Elly Shimasaki, gerente na ocasião.

O caso mais recente foi no hotel Cassino, na cidade de Artigas, no Uruguai, onde o casal se hospedou entre julho de 2011 e novembro de 2012. Os últimos meses ficaram sem pagamento, restando uma dívida de R$ 35 mil. Lá, Belchior deixou para trás roupas e um laptop. 

“É uma lástima que um artista brasileiro dessa importância tenha agido assim”, diz o gerente uruguaio Ricardo Rodrigues. O hotel entrou com uma queixa criminal contra o casal.

Capítulo 3
“Sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco”

Nos últimos anos, Belchior se manteve à distância de qualquer atividade remunerada. Em 2009, quando o desaparecimento ganhou repercussão nacional, a montadora General Motors ofereceu um cachê milionário para ele aparecer num comercial. Belchior deveria dizer que, com o novo carro da GM, até ele voltava. Belchior recusou o convite e ficou bastante chateado com o teor da proposta. O empresário Jackson Martins diz que recebe constantes pedidos para shows, mas não consegue localizá-lo desde 2007. “Pago as dívidas dele se ele voltar”, diz. Outro empresário que trabalhou com Belchior por quase 30 anos, Hélio Rodrigues, diz que o desaparecimento fez aumentar o interesse do público. “Depois do escândalo, ele consegue lotar qualquer casa de espetáculo. Com dois shows em São Paulo, eliminaria as dívidas”, diz.

Hoje, a maior pendência de Belchior é o processo trabalhista ganho pelo secretário Célio, no valor de R$ 1 milhão. A causa está julgada. Um apartamento de propriedade do músico em São Paulo está em execução. A dívida da pensão para a ex-mulher Ângela soma cerca de R$ 300 mil. Mas cresce a cada dia, já que Belchior continua obrigado a pagar R$ 7 mil por mês. “O sumiço só agravou a situação dele. Se não tem dinheiro, deveria enfrentar juridicamente o processo, argumentando que não pode pagar”, diz Paulo Sato, advogado de Ângela. A pensão atrasada da filha que mora em São Carlos gira em torno de R$ 90 mil. As dívidas com hotéis cobradas na Justiça somam R$ 47 mil. Não são impagáveis, desde que Belchior volte a se apresentar.

A derradeira fonte de renda de Belchior eram os direitos autorais de suas músicas. Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), nos últimos cinco anos foram depositados R$ 367 mil referentes à execução pública de suas obras. Parte do dinheiro ficou retida quando as contas bancárias foram bloqueadas. Desde então, Belchior não contou com nenhum outro tipo de renda.

Capítulo 4
“Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho”

Em janeiro deste ano, Edna e Belchior procuraram a Defensoria Pública em Porto Alegre. A história ganhou ingredientes ainda mais estranhos. Os dois alegavam que o bloqueio das contas e os mandados de prisão impediam que ele trabalhasse e voltasse a ganhar dinheiro para pagar as dívidas. Belchior aparentemente estava disposto a voltar. Mas o comportamento do casal era confuso. Edna falava desbragadamente, enquanto Belchior ficava quase sempre calado. “Durante um mês, me informei sobre os processos que tramitam em São Paulo. Fizemos um pedido judicial para a suspensão da execução, até que ele conseguisse se restabelecer. Nesse meio-tempo, Belchior sumiu”, diz a defensora pública Luciana Kern, que o atendeu.

Nesse mesmo período, Edna ligou para o jornalista gaúcho Juremir Machado, que não conhecia. Disse que Belchior estava escondido na cidade e precisava de ajuda. Ela queria que Juremir os levasse à sede regional da TV Record para fazer uma denúncia delirante. Juremir notou algo de incomum no casal. Eles se escondiam atrás de pilastras e ficavam olhando a movimentação nas ruas antes de entrar em algum lugar, como se fossem seguidos. Na retransmissora da TV, Edna afirmou ter um dossiê contra a TV Globo. O programa Fantástico noticiara o desaparecimento de Belchior em 2009 e a fuga do hotel uruguaio, em 2012. “Ela dizia que Belchior era difamado pela Globo e queria justiça. Falou até que havia uma tentativa de matá-lo”, diz a jornalista Vânia Lain, que recebeu os dois. Eles disseram que voltariam na semana seguinte trazendo os documentos, mas desapareceu.

Em Porto Alegre, Belchior e Edna ficaram inicialmente hospedados num hotel simples no centro, pago com ajuda dos funcionários do Tribunal de Justiça, primeira porta em que o casal bateu quando chegou à capital gaúcha. Depois, foram abrigados no Centro Infanto-juvenil Luiz Itamar, instituição de caridade na região metropolitana. Dali, foram levados ao advogado Aramis Nacif, ex-desembargador do Estado, que poderia ajudar Belchior com os processos. “Ele dizia que um agente apareceria, mas nunca apareceu”, diz Nacif. Durante um mês, o casal ficou abrigado na casa de praia do filho dele. “Eles não tinham dinheiro algum. Edna apresentava um sentimento de perseguição muito grande, parecia ter algum distúrbio psicológico”, diz. Foi nesse momento que Belchior conheceu o advogado Jorge Cabral, na casa de quem se hospedou por quatro meses.

Cabral tomou um susto ao perceber que um músico importante como Belchior estava ali. E os convidou para ir a um sítio de sua propriedade, em Guaíba, local mais agradável. Belchior e Edna continuavam sem dinheiro. Nesse período, o advogado levou mantimentos, roupas, itens de higiene pessoal e até tintura para Belchior pintar os bigodes de preto.

No sítio de Cabral, Belchior não bebia nem comia carne vermelha. Passava os dias tomando chá, caminhando e cuidando das ovelhas. Fazia muitas anotações em papéis, que escondia numa pasta. Durante esse período, gastou duas canetas inteiras. Leu cerca de 40 livros. Não apresentava sinais de depressão. Parecia, segundo Cabral, alheio aos problemas que o cercavam. “Eu imaginava que ele era apenas um compositor nordestino, mas encontrei um artista plástico, um pensador, um filósofo”, diz Cabral. Ele pretende escrever um livro sobre a experiência.

Belchior só não gostava de falar sobre sua situação. Recusava-se a tocar violão e cantar. Edna impedia que ele fosse fotografado. O casal também não tomava nenhuma providência para resolver os problemas jurídicos. “A gente esperava que a situação se resolvesse, mas não acontecia nada. E aquilo não condizia com um homem lúcido, com memória fantástica, que fala várias línguas e tem uma quantidade enorme de músicas gravadas”, diz Jorge Cabral.
“Esse tempo que ele falou que daria na carreira já está longo demais. Só queremos notícias dele”, diz a irmã, Ângela Belchior. Belchior não apareceu nem no enterro da mãe, que morreu em 2011. Por telefone, a ex-mulher Ângela soa reticente. Não gosta de falar sobre um assunto tão delicado com a imprensa. Ela conta que, desde 2007, Belchior não entra em contato nem com os filhos. “Não entendo. Os empresários dele não entendem”, diz.

Em julho deste ano, Cabral pediu que o casal saísse, dado que Belchior e Edna não davam sinal de acabar com aquela situação de total dependência. Ele os deixou na porta da sede regional da União Brasileira de Compositores, com R$ 50 no bolso. Na União, Belchior tentou desbloquear o pagamento de seus direitos autorais, comprometido pelos processos na Justiça. Não conseguiu.

Belchior foi visto pela última vez na entrada do prédio, um edifício moderno num bairro de classe média de Porto Alegre, em frente a uma avenida bastante movimentada. Carregava uma pequena mala nas mãos e material de pintura debaixo do braço. Belchior – na belíssima letra de “Comentário a respeito de John”, ele cantava “eu prefiro andar sozinho” – estava, como sempre, ao lado de Edna.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A MESQUINHEZ DE MORO É SUA DERROTA MORAL

POR  · 20/04/2017

tatuagem
Em sua coluna, hoje, na Folha, Janio de Freitas gasta poucas linhas para traçar o perfil moral do juiz Sérgio Moro:
O juiz Sergio Moro ofereceu mais uma demonstração de como concebe o seu poder e o próprio Judiciário. Palavras suas, na exigência escrita de que Lula compareça às audiências das 87 testemunhas propostas por sua defesa:
“Já que este julgador terá que ouvir 87 testemunhas da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (…), fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências na quais serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua defesa, a fim de prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por provas emprestadas”. É a vindita explicitada.
Um ato estritamente pessoal. De raiva, de prepotência. É uma atitude miúda, rasteira. Incompatível com a missão de juiz. De um “julgador”, como Moro se define.
O Judiciário não é lugar para mesquinhez.
Ouso, concordando com a ideia, discordar de mestre Janio na realidade dos fatos.
Tornou-se, sim, o lugar da mesquinhez, onde a acusação e a prisão passaram a corresponder a uma opção político-ideológica e, a segunda, como uma afirmação moral e não um castigo legal, ao qual se antecipa.
Tanto é assim que pessoas ainda não condenadas – ou condenadas ainda sem trânsito em julgado de suas sentenças – são mantidas presas meses a fio, para forçar-lhes uma delação conveniente, sob justificativas vagas que correspondem, no fundo, aos doutores se  igualando aos papos irresponsáveis de botequim, na base do “roubou (ou digo, ou suponho que), tem de ser preso.
Mas há, ainda, outra constatação que se pode fazer, ante a mesquinharia de Moro. É que, embora seu poder legal seja imenso e arbitrário, ampliado pela covardia moral dos tribunais de 2ª e da suprema instâncias, que tremem de medo de aparecerem como revogadores de suas decisões, o juiz de Curitiba e virtual dono do Brasil sofre de uma irreversível desvantagem moral.
É que Lula penetrou em sua alma e psiquê, é uma obsessão, é o resumo de sua existência medíocre e arrogante. Destruí-lo é  sua razão de viver.
Já Moro é um – mais um – acidente na trajetória de Lula, por mais fatal que se possa admiti-lo.
Por isso, se me fosse perguntado que conselho modesto eu poderia dar ao ex-presidente, às vésperas de seu depoimento e ante a maratona de audiências a que Moro quer obriga-lo a presenciar, calado, sem poder se manifestar,  diria que eu sigo o conselho que ouvi de Brizola. Na campanha de 1989, numa reunião com intelectuais, promovida por Gilberto Gil na casa do sempre gentil Chico Buarque de Holanda, ele disse: “na hora da dificuldade, eu vou me aconselhar com os poetas”.
Dou então, um conselho de Raul Seixas a Lula, no seu Gita, que parece ter sido escrito pensando em Moro:
Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A PAIXÃO DE CRISTO NOS DIAS ATUAIS

De que lado você ficaria?


Outro dia estava numa reunião religiosa e durante o momento da reflexão, alguém perguntou: "e se Jesus voltasse hoje como humano e vivesse novamente em nosso meio, reconheceríamos como filho de Deus? Seguiríamos ou condenaríamos?" Apesar de parecer fácil, essa pergunta é muito difícil e polêmica. Aproveito o momento onde os cristãos comemoram a Semana Santa e a Páscoa para fazer essa pergunta a vocês. Eu confesso que fiquei com dúvidas.

Para ajudar nessa reflexão, faço alguns questionamentos. Esqueça um pouco o Jesus filho de Deus, Homem Santo, enviado à terra pelo próprio Deus. Esqueça um por um momento o que você conhece através dos quatro evangelhos. Tente voltar ao tempo e imagine-se vivendo em Jerusalém ou na Galileia. Procure conhecer a história daquele povo, a relação de poder, suas leis, seus hábitos e costumes. Você ficará surpreso ao descobrir que a realidade daquele povo no tempo de Jesus era muito parecida com a nossa realidade atual. E se você observar o poder romano, suas artimanhas, seus julgamentos, a relação de opressão com o povo, e, principalmente, sua estrutura jurídica, ficará ainda mais surpreso. Não é à toa que a nossa justiça e nossas leis são baseadas no modelo romano. Herdamos até os termos em latim exaustivamente utilizado nos tribunais.

Comparando a realidade em que Jesus viveu no seu tempo com a nossa, comparando os preconceitos existentes com os nossos, comparando o nível de alienação e submissão daquele povo, arrisco-me a desconfiar que hoje, o poder institucionalizado crucificaria Jesus novamente e o povão estaria lá aplaudindo e vibrando.

Está achando que isso é exagero, uma heresia? Então acompanhe meu raciocínio:


  • Para começo de conversa, Jesus era pobre, defendia os pobres e andava com pobres. Só esse fato em si já seria motivo para ele ser recriminado na atual sociedade. Se tirarmos a máscara da hipocrisia, perceberemos que a sociedade não suporta pobres que se mete a querer ter algum destaque. E esse sentimento é tão forte que o próprio pobre sofre uma lavagem cerebral para pensar que não tem direito a ter acesso a certas oportunidades. Olhe o que uma socialite escreveu em sua coluna num importante jornal: "Ir a Nova York já teve sua graça, mas, agora, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça?" (Danuza Leão - 2012).  Constantemente, observo pobres fazendo piadas contra pobres e criticando os programas sociais que tiram o povo da miséria. Esse é o poder invisível da lavagem cerebral que atinge principalmente as classes de menos acesso ao conhecimento. Então, desconfio que se um ser humano aparecesse aqui hoje, tipo esquisitão barbudo de chinelos, ensinando que os pobres serão os bem aventurados, que tem direitos a uma vida digna, que deve ter o acesso à universidade facilitado, que não deve aceitar ser explorado, seria perseguido, acusado de subversivo, louco, fanático... Quem sabe, chamaríamos de comunista e mandaríamos ir para Cuba?!
  • Em segundo lugar, Jesus andava com pecadores, com prostitutas, cobradores de impostos e tudo quanto era gente não recomendada. Já imaginou essa situação vivenciada hoje? Que julgamento faríamos? Imagine um líder religioso atualmente fazendo o que Jesus fez em sua época? Você conhece algum líder religioso atualmente que condena o preconceito contra gays, prostitutas, que defende e protege os excluídos e foi recriminado por isso? Por outro lado, vejo milhões de jovens e famílias "cristãs" defendendo com unhas e dentes líderes religiosos e políticos que pregam abertamente a intolerância, que apoiam ideias machistas, a misoginia e a discriminação racial. Vejo gente de "bem" defendendo a pena de morte e repetindo que "bandido bom é bandido morto", enquanto Jesus defendeu até uma prostituta condenada ao apedrejamento por adultério (crime grave na época).
  • Jesus não morreu de morte natural nem de acidente. Ele foi um prisioneiro político. O que incomodou a elite romana não foi sua pregação religiosa, mas sua prática, seu posicionamento firme contra a exploração dos humildes, contra a hipocrisia do poder. Ele não ficou em cima do muro. Jesus teve lado e defendeu até as últimas consequências a justiça social, a igualdade e a fraternidade. Ele disse: "Eu vim para que as ovelhas tenham vida, e para que a tenham em abundância" (João, 10, 10). E isso irritou os poderosos que viam-O como uma ameaça aos propósitos de poder do Império Romano. E hoje? O que fazemos com nossos líderes que ousam a pregar uma sociedade justa e igualitária? O que fazemos com quem ousa a desafiar e enfrentar os poderosos? O que pensamos de alguém que aparece defendendo as mesmas idéias que Cristo defendeu?
  • Ler a Bíblia hoje e compreender que Jesus foi injustiçado é fácil. Ir para a igreja e reviver com emoção a Paixão de Cristo é bonito e emocionante. Mas pare e compare o julgamento de Cristo com os julgamentos que fazemos hoje. Jesus foi preso, julgado e condenado à morte por um tribunal legítimo. Seus algozes seguiram todo o rito do processo e, aparentemente, aos rigores da lei, foi um julgamento justo e houve até o sagrado direito a defesa. Para os entendidos no direito, foi seguido todo o rito processual. No entanto, sabemos que seu julgamento foi uma farsa, um teatro montado para dar legitimidade a uma acusação falsa. Atualmente, nossos tribunais continuam julgando e condenando inocentes. E o povão o que fala? "Ah, se está preso é porque deve". "Se não devesse nada, não teria sido condenado, afinal, juízes estudaram e sabem o que estão fazendo". "Tá na cara que é culpado. Não temos prova, mas temos convicção". E você, o que diria? 
  • Tanto Pilatos como Herodes até tentaram livrar a barra de Jesus. Pilatos chegou a declarar: "Eu não acho neste homem culpa alguma. Mas eles insistiram fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judeia, a começar da Galileia até aqui" (Lucas, 23, 4-5). Veja que o próprio povo manipulado pelas autoridades romanas pediu a morte de Jesus. Preferiram soltar Barrabás. E hoje, será que não estamos fazendo o mesmo? Analisem nossa história recente. Sem querer fazer nenhuma comparação, quando Tiradentes foi condenado à forca, o povão foi para a praça aplaudir a morte de quem eles chamavam de facínora traidor da pátria, para depois de um século transformá-lo em herói nacional, o mártir da inconfidência. Isso lhe diz alguma coisa? Por que o povo sempre fica do lado dos poderosos e contra os líderes que lutam pela libertação desse povo? Por que o povo tem a tendência de endeusar juízes e achar que os doutores estão sempre corretos? Foi exatamente assim com Cristo.
  • E para terminar, imagine Jesus vivendo aqui na Terra hoje e invadindo uma igreja e quebrando as maquininhas de cartão de crédito e dizendo: "Não está porventura escrito: a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações, mas vós fizeste dela um covil de ladrões"(Marcos, 17). Acho que ele seria expulso a pontapés e seria acusado de estar possuído pelo demônio. 
Pense nisso. Reveja os seus conceitos, seus preconceitos,  seus prejulgamentos e viva intensamente a verdadeira Paixão de Cristo.