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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA - MEL FILHA DA AMAZÔNIA

Acabei de ler a obra da escritora de Parauapebas Terezinha Guimarães*. Mel - Filha da Amazônia é um romance surpreendente que conta a história de uma menina nascida e criada numa comunidade ribeirinha às margens do rio Amazonas. Menina brejeira, sonhadora, com um forte senso de realidade adquirido através da árdua vida e das privações do dia-a-dia. Sonhava em ser modelo e conquistar as passarelas do mundo, mas, enquanto esse sonho não se concretizava, convivia com uma família problemática, um pai alcoólatra, mãe depressiva, além de presenciar e conviver com a dura realidade da prostituição infantil e a exploração e degradação dos recursos naturais.

Enquanto seu sonho não vira realidade, Mel atravessa o rio com suas irmãs para estudar na escola do vilarejo, trabalha nos afazeres domésticos e, mesmo sendo menor, administra a problemática família. Embalada pelo sonho e pela fé, vai rompendo barreiras que parecem intransponíveis e se identifica cada vez mais com a região amazônica, pela qual mantém uma paixão incondicional.

Após completar 15 anos, Mel deixa o pequeno vilarejo esquecido na Região Norte e segue sozinha para Brasília apenas com um numero de telefone de um jovem pesquisador que passara pela sua comunidade e prometera ajudá-la a concretizar seu sonho. O que parecia loucura, aventura sem sentido, transforma-a numa modelo famosa que leva não só a beleza amazônica para as passarelas, mas a mensagem do povo esquecido e discriminado da Amazônia. Após conquistar fama e dinheiro, Mel volta para a sua comunidade como psicanalista para desenvolver um projeto social e ajudar seu povo tão sofrido.

Esse fantástico romance que prende até mesmo o leitor mais desinteressado do início ao fim, aborda com leveza e sutileza temas como a exploração sexual, o tráfico dos recursos naturais, a destruição da floresta amazônica, alcoolismo e depressão, e ressalta a realidade dos povos ribeirinhos tão presentes em nossa região. A autora se envolve de tal maneira na trama, que às vezes dá a impressão de ser a própria protagonista da história. Se não fosse a escritora moradora de uma região esquecida do mundo, e que só aparece na grande mídia pelas notícias negativas, seu livro, com certeza seria reconhecido nacionalmente e estaria sendo divulgado por uma grande editora, e, quem sabe, até viraria um seriado de Tv. 

Li, gostei e recomendo.

*Terezinha Guimarães (1962) maranhense, casada, mãe de três filhos. Pedagoga, psicanalista clínica, escritora com doze obras publicadas. Membro da Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense e da Academia Parauapebense de Letras, onde exerce o cargo de vice-presidente. Atualmente coordena o Bem Estar Centro Terapêutico, onde trabalha com casais, utilizando uma abordagem psicoterapêutica de orientação psicanalítica. 


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